Zeka Galeria
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VINTE E UM

Lu Brito · percurso de um tempo

Vista da exposição VINTE E UM, de Lu Brito
Datas
21 de maio a 11 de junho de 2026
Local
Zeka Galeria, Salvador
Curadoria
Zeca Fernandes
Artista
Lu Brito

Vinte e um anos de fotografia reunidos numa sala só. Imagens feitas em mais de quarenta países e em quase todos os estados brasileiros — do sertão da Bahia à Antártida, do Salar de Uyuni às ilhas Lofoten.

Obras 22

Lu Brito, Eros
Eros, 2021Fotografia100 × 100 cmSérie A natureza que ninguém vê · Tucano, Bahia
Lu Brito, Casa de Praia
Casa de Praia, 2021Fotografia100 × 100 cmSérie A natureza que ninguém vê · Itaparica, Bahia
Lu Brito, Convergência do Impossível I
Convergência do Impossível I, 2024Fotografia110 × 110 cmSérie Geomorfia · Antártica e Maranhão
Lu Brito, Convergência do Impossível II
Convergência do Impossível II, 2024Fotografia110 × 110 cmSérie Geomorfia · Antártica e Maranhão
Lu Brito, Duna Antártica
Duna Antártica, 2024Fotografia110 × 73 cmSérie Geomorfia · Antártica
Lu Brito, Geleira Maranhense
Geleira Maranhense, 2024Fotografia110 × 73 cmSérie Geomorfia · Maranhão
Lu Brito, Tão Longe, Tão Perto
Tão Longe, Tão PertoFotografia60 × 90 cmSérie Na Palma da Mão · díptico · Ilhas Lofoten, Noruega, e Canudos, Bahia
Lu Brito, Tão Longe, Tão Perto
Tão Longe, Tão PertoFotografia60 × 90 cmSérie Na Palma da Mão · díptico
Lu Brito, Bordados Infinitos I
Bordados Infinitos I, 2023Fotografia120 × 80 cmSérie Na Palma da Mão · Salar de Uyuni
Lu Brito, Bordados Infinitos II
Bordados Infinitos II, 2023Fotografia120 × 80 cmSérie Na Palma da Mão · Salar de Uyuni
Lu Brito, Not Sea
Not Sea, 2026Fotografia150 × 100 cmSérie Na Palma da Mão · Puerto Varas, Chile
Lu Brito, Glacier
Glacier, 2022Fotografia130 × 130 cmSérie Na Palma da Mão · Islândia
Lu Brito, Revoada
Revoada, 2026Fotografia100 × 150 cmSérie Impossibilidades · Mairi, Bahia
Lu Brito, BluePrint
BluePrint, 2022Fotografia150 × 100 cmSérie A natureza que ninguém vê · Islândia
Lu Brito, Bonfim
Bonfim, 2019Fotografia100 × 150 cmSérie Bahia, Meu Amor · Ilha de Itaparica, Bahia
Lu Brito, sem título
Sem título, 2021Fotografia100 × 100 cmSérie Itaparica · Ilha de Itaparica, Bahia
Lu Brito, sem título
Sem título, 2021Fotografia100 × 100 cmSérie Itaparica · Ilha de Itaparica, Bahia
Lu Brito, Giacometti em Itaparica
Giacometti em Itaparica, 2017Fotografia80 × 80 cmSérie Itaparica · díptico
Lu Brito, Giacometti em Itaparica
Giacometti em Itaparica, 2017Fotografia80 × 80 cmSérie Itaparica · díptico
Lu Brito, Elefante 3x4
Elefante 3x4, 2020Fotografia150 × 100 cmSérie África
Lu Brito, Zebra
Zebra, 2020Fotografia150 × 100 cmSérie África
Lu Brito, Tempus Fugit
Tempus FugitInstalação fotográfica30 × 20 cm (cada)Imagens de Salvador, Chicago, Nova York, Lençóis Maranhenses, Salar de Uyuni, Islândia, Havana, Kruger Park, Siena, Yokohama e outros lugares

Textos

Zeca Fernandes · Galerista e curador da exposição

O olhar que traduz a simplicidade da vida é o mesmo que cura nossas angústias, medos e segredos. Mistérios de um mundo onde a captura da realidade jamais caminha despercebida. E olha que já são mais de 20 anos de estrada revelando talento, sensibilidade e uma generosidade que transborda os mares do sertão.

A natureza precisa se reinventar. A luz, muitas vezes em silêncio, pede licença para se apropriar do trabalho dessa fotógrafa, artista que tanto nos inspira. A satisfação e o reconhecimento são frutos da evolução, da disposição e da disciplina de um olhar mais que apurado, um olhar humano.

Gabriela Daltro · Produção artística

Imagino o ano 1. Estamos em 2005 e reconheço uma Luciana, médica, com sua câmera na mão. Olhar já fazia parte da sua vida muito antes disso.

Ao longo dos anos, percorreu cidades, desertos e silêncios. Alguns ela sempre volta. O sertão da Bahia e a aurora boreal na Noruega a encantam com a mesma força. Vi o tempo da espera, a repetição do gesto, a emoção com o que viu.

Hoje estamos aqui para olhar o que foi feito, para acompanhar o percurso de um tempo. VINTE E UM fala sobre continuidade. Sobre um olhar que não perde a capacidade de se transformar.

Fabio Gatti

A fotografia, historicamente, foi uma tecnologia masculinista — razão pela qual mulheres como Anna Atkins, Julia Margaret Cameron e tantas outras foram obliteradas, durante décadas, das narrativas hegemônicas sobre a imagem técnica.

É neste cenário que a presença, a atuação e a história de uma fotógrafa viajante negra, médica e nordestina como Lu Brito importa, e muito. Extrapolando os limites socialmente impostos ao seu corpo, ao seu gênero, à sua raça e à geopolítica do seu território de origem, ela tanto se tornou uma oftalmologista respeitada quanto se consolidou como fotógrafa reconhecida nacional e internacionalmente.

Ricardo Sena

É um privilégio acompanhar e batizar a primeira exposição, em 2015, de Luciana Brito — assim nasceu Ludosmundos. Um nome no instante em que o olhar se torna geografia.

Lu não fotografa lugares. Ela os decifra. Da luz quente do sertão baiano ao gelo cortante da Patagônia, do vulcão no Chile à aridez do Atacama, transita entre continentes sem perder o eixo. O que vemos é relação, é tempo gasto, é poeira no sapato.

Uiler Costa-Santos · Uma paz desorganizada

Quando me aproximo do trabalho de Luciana Brito, o que reconheço primeiro é o jeito como ela se relaciona com o mundo. Uma maneira de atravessá-lo que tem menos de escolha do que de condição. Fotografar deixou de ser, para ela, o motivo da viagem. Virou o meio pelo qual a viagem se torna suportável.

Na clínica, corrige olhos, reorganiza focos, restitui o que se foi perdendo. Na fotografia, faz o contrário: recusa a visão estabilizada e fotografa o que está prestes a deixar de existir.

Dentro de cada olho humano existe uma região incapaz de produzir imagem. Um ponto cego. Cada vez que vemos, vemos com lacuna. A diferença é que normalmente não sabemos disso. Como oftalmologista, ela sabe. Como fotógrafa, faz da lacuna o lugar da imagem.

“Eu não busco. Eu sou arrebatada”, diz. O que a emociona não é a beleza da paisagem: é a aridez, a falta, o vazio. Volta dessas viagens sabendo que é ínfima. Essa desimportância liberta.

Curadoria Zeca Fernandes · Produção artística Gábi Daltro · Realização DPTO · Impressão fine art Tarcísio Albuquerque Atelier

Acervo

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